Quem compra terra não erra - não é bem assim

imagem mostra fachada de casa de ouro para ilustrar as mudanças na compra de imóveis no Brasil de 2026 em diante
Casa de ouro ou só arco-íris


Sabe aquele ditado secular que apregoa que "quem compra terra não erra"? Pois bem, sinto informar que, na atual conjuntura de 2026, essa máxima não apenas envelheceu mal, como pode ser o caminho mais curto para um desastre financeiro. O mundo mudou, o Brasil mudou, e a forma de possuir terra já não guarda a mesma segurança de antigamente.

Até 2025, comprar terras em solo brasileiro ainda sustentava uma aura de bom negócio. Hoje, a realidade é outra. Entre mudanças drásticas na tributação e o novo peso fiscal sobre a propriedade, a terra "nua" ou o imóvel mal gerido tornaram-se, de fato, um fardo. Aquela ideia de acumular imóveis para viver de renda estagnou: temos o desgaste implacável do tempo, o risco geológico e climático que já não podemos ignorar — enchentes e ciclones que antes pareciam distantes — e, principalmente, a obsolescência comercial. O e-commerce esvaziou os pontos físicos e quem não entendeu essa transição está segurando tijolos que perderam a alma e o valor.

Investir em imóvel hoje só é bom quando tratamos o ativo como commodity de alto valor e não apenas como um amontoado de alvenaria. O lucro não está mais no "tijolo por tijolo", mas na adequação cirúrgica ao modelo atual da sociedade brasileira.

E qual é esse modelo? É a sociedade das pessoas que preferem a solitude ou famílias reduzidas; que buscam a praticidade da casa térrea pensando na finitude da vida e na velhice; que clamam pela segurança dos condomínios ou pela centralidade absoluta. E é justamente na centralidade que encontramos o grande gargalo.

As casas centrais, em sua maioria, são esqueletos velhos, assobradados, vulneráveis e que exigem adaptações que custam uma fortuna. Por isso, o preço do metro quadrado hoje é uma entidade individualizada. A casa X na rua Y jamais terá o mesmo valor da casa W na mesma calçada. 

O valor real depende de uma análise profunda: fiação, tubulação, telhado, estrutura, documentação e, acima de tudo, o estado de conservação. E o problema reside no fato de que o proprietário, movido pelo valor emocional ou pela ganância, raramente compreende isso.

O herdeiro, geralmente, pensa que a necessidade do comprador é o seu maior trunfo. Imagina que o interessado deve aceitar o imóvel "do jeito que está", inflacionando o mercado com valores ilusórios baseados em heranças de pais falecidos que eles mesmos não quiseram manter. Esse descompasso entre a expectativa do dono e a realidade do mercado é o que faz o setor estagnar.

Meu conselho como Corretor e Estratégista? Compre um imóvel de ouro e lembre-se que não é fácil achar ouro. Às vezes, está sob nossos pés e não nos damos conta. 

Mas entenda: no meu mercado, o "ouro" não é o metal que se guarda no cofre. O ouro maciço é o imóvel que passou pelo crivo da análise técnica, que possui segurança jurídica e que está posicionado para a demanda real de 2026. Quem compra esse "ouro" — o ativo bem selecionado e precificado — este sim, não erra.

O resto é apenas terra. E terra, sem estratégia, é peso.

Para saber como distinguir o ouro do cascalho na hora de precificar ou investir, fale com quem entende a anatomia do mercado local.

Yuri Abyaza Costa
Corretor de Imóveis e Estrategista em Carapicuíba

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Explicando o poema Canção do Tamoio

O Mercado Imobiliário Mudou: O Que Você Precisa Saber O Conceito de Wellness (Bem-Estar)

Como magoar uma mulher