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A Palhaça

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  A Palhaça - O Que Nunca se Deve Tirar de Uma Mulher Na agenda da família, havia um compromisso importante. Bem cedo. Anos 1980. Minha mãe, certa de ser a melhor companheira, antecipou-se. Foi ao cabeleireiro um dia antes e passou horas sob o capacete de secador. Estava feliz. Jovem e bonita. A vida, aos seus olhos, estava completa. Tinha família. Um lar. Uma carreira que construiu com as próprias mãos: professora de letras, escritora, poliglota, psicopedagoga – e dona de um português impecável. Nada herdado; tudo suado. Um currículo que, para aquele evento, funcionava como alicerce social. Meu pai, erudito, seria o escudo dela. Ou deveria ter sido. Foi a primeira a se levantar. Fez o café. Banhou-se. Vestiu o tailleur. Borrifou o perfume. Pôs as joias. Maquiou-se com sobriedade. Digna de uma dama. Ao vê-la cruzar a sala, meu pai fitou-a dos pés à cabeça – como quem analisa uma obra de arte – e proferiu uma única frase. — Você está parecendo uma palhaça. Silêncio. Todo...

O Tempo no Mesmo Lugar em Épocas Diferentes

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  A vida não consiste em tornar-se algo. Consiste em revelar aquilo que sempre fomos. Esta história nasceu de uma reflexão sobre o tempo, o ego, a essência humana e a passagem da vida. Em uma cabana imaginária, dois homens conversam enquanto observam o crepúsculo. Ao longo da noite, descobrem que algumas das maiores verdades não precisam ser construídas, apenas reveladas. Um diálogo sobre o tempo, o ego e a essência humana Numa tarde em que o dia começava a recolher suas cores, dois homens sentaram-se à varanda de uma velha cabana. Um chamava-se Aurélio. O outro, Baltasar. Entre eles havia uma mesa de madeira marcada pelos anos. Sobre ela repousavam pão, queijo, vinho e um antigo relógio de bolso que já não funcionava havia muito tempo. Na parede, o retrato de uma mulher observava os dois em silêncio. Aurélio serviu vinho nas taças e apontou para o relógio. — Curioso como um relógio parado continua falando sobre o tempo. Baltasar sorriu. — Não fala sobre o tempo. — Não? — Fala sobr...